Pergunta pra qualquer NOC de provedor de fibra "vocês monitoram a rede FTTH?" e a resposta quase sempre é sim. Pergunta o que exatamente é monitorado, e a resposta quase sempre reduz pra uma coisa só: a ONU está online ou offline. É o mínimo necessário — e está bem longe do suficiente.
O que geralmente já está coberto
Status binário por ONU (online/offline) é o item mais comum, e com razão: é o dado mais simples de coletar e o que gera o alarme mais óbvio. Mas parar aqui deixa de fora sinais que antecipam problema, não só registram ele depois que já aconteceu.
O que costuma faltar — e por que cada item importa
- Potência óptica RX/TX por ONU. Sem isso, toda queda parece igual — não dá pra distinguir rompimento abrupto de degradação gradual (veja mais sobre isso na previsão de falha por potência óptica).
- Queda parcial por PON. Uma ONU caindo é um caso isolado. Metade das ONUs de uma PON caindo ao mesmo tempo é rompimento de fibra na distribuição — e isso só vira alarme distinto se houver contagem de online/offline por PON, não só por ONU individual.
- Tensão e temperatura do módulo óptico. Menos comum de estar monitorado, mas é o tipo de dado que denuncia degradação de hardware antes da falha total — bias de laser subindo, temperatura fora da faixa.
- Distância OLT↔ONU. Ajuda a identificar splitter ou trecho físico específico quando o mesmo padrão de problema se repete em ONUs de posições parecidas.
- Rota anunciada na borda. Sai do domínio da ONU, mas é o outro extremo do mesmo problema: BGP caindo com upstream, rota que some — pode tirar do ar uma faixa inteira de clientes sem nenhuma ONU "cair" tecnicamente.
Nem todo item pesa igual — priorize por retorno
Não é necessário (nem realista) implementar tudo de uma vez. Uma ordem de prioridade razoável, pela relação esforço×retorno:
- Status online/offline por ONU — se ainda não existe, é o ponto de partida.
- Contagem por PON (queda parcial) — maior retorno pra detectar rompimento de distribuição rápido.
- Potência óptica com histórico — abre a porta pra manutenção preventiva.
- Tensão/temperatura e distância — refinamento, útil quando o volume de ONU já justifica diagnóstico mais fino.
O ponto cego mais caro é o que ninguém percebe que existe
O item que mais frequentemente falta não é o mais difícil tecnicamente — é o que ninguém pensou em perguntar, porque "monitorar FTTH" virou sinônimo de "ver se a ONU está online" faz tanto tempo que a lista parou de crescer. Vale revisitar essa lista de vez em quando, principalmente à medida que a rede cresce e o custo de cada ponto cego cresce junto.
Quer comparar essa lista com o que sua operação já tem hoje? Fale com a gente — é uma conversa rápida e ajuda a mapear o que falta.