Furto de cabo não é um problema novo, mas os números de 2026 mostram que ele não está diminuindo. Só no primeiro semestre do ano, Santa Catarina e Paraná já somam 55 ocorrências registradas de furto de cabo. No Rio de Janeiro, o volume de casos cresceu 99% entre 2023 e 2025 — praticamente dobrou em dois anos — com prejuízo acumulado de R$ 69 milhões só naquele estado nos últimos cinco anos. Em 2024, a estimativa nacional passou de 100 toneladas de fio e cabo furtados.
Por que isso pesa mais em provedor regional do que em grande operadora
Cabo de cobre sempre foi alvo por valor de sucata, mas fibra óptica virou alvo mesmo sem o mesmo valor de revenda de metal — muitas vezes furtada junto com o cabeamento de energia ao lado, ou simplesmente cortada por vandalismo e disputa de poste. O efeito prático pro provedor é o mesmo, tenha ou não valor de revenda: interrupção de serviço em massa, custo de reposição do trecho físico, indenização de cliente afetado e, se a queda de confiabilidade se repete na mesma região, freio direto em expansão — ninguém investe capital em levar fibra pra uma área onde o trecho anterior já foi rompido três vezes.
Provedor regional sente isso mais forte que operadora nacional por um motivo estrutural: rota alternativa. Uma operadora grande frequentemente tem caminho redundante pra contornar um rompimento; provedor menor, com rede mais linear e menos POPs, muitas vezes não tem — o rompimento derruba a área inteira até alguém chegar fisicamente ao ponto exato do corte.
O que muda com a Lei 15.181/2025
A legislação andou: a Lei 15.181/2025 alterou o Código Penal pra aumentar a pena de furto qualificado de infraestrutura de 1–4 anos pra 2–8 anos de reclusão, e pra roubo agravado que comprometa serviço público essencial, de 6 a 12 anos. É um sinal relevante — mas pena mais alta não reduz o tempo que uma rede fica fora do ar entre o corte e o reparo, e não muda o fato de que boletim de ocorrência bem instruído (local exato, horário aproximado, extensão do trecho) ajuda tanto a investigação quanto o processo de seguro, quando existe apólice cobrindo o ativo físico.
O que reduz o prejuízo, na prática
- Saber o trecho exato, não só "a região", no minuto em que a rede cai. Alarme de perda de sinal óptico por ONU/OLT que já vem geolocalizado no mapa da rede corta o tempo de triangulação manual — que hoje, em muita operação, ainda é "mandar alguém dirigir pela rota até achar o corte visualmente".
- Documentar o evento com timestamp e coordenada pra BO e seguro. Rompimento registrado com hora exata e ponto geográfico facilita tanto o registro policial (mais peso pra enquadrar como o crime que já tem pena maior) quanto qualquer acionamento de cobertura de infraestrutura.
- Priorizar rota crítica pra redundância física, não só lógica — trecho que já sofreu mais de um corte no histórico é candidato natural a caminho alternativo, mesmo que o investimento em duplicar fibra pareça caro isoladamente.
- Cruzar histórico de rompimento por região com decisão de expansão — área com padrão recorrente de furto muda o cálculo de retorno de um projeto de expansão ali.
O ponto em comum entre essas quatro ações é o mesmo: menos tempo entre "a rede caiu" e "sabemos exatamente onde, e por quê" é o que separa um incidente contido de uma tarde inteira de rede fora do ar numa região inteira. Se seu NOC hoje descobre a localização de um rompimento físico só depois que o técnico já saiu pra campo, vale ver como o NOC Geomap mostra a localização exata de queda de sinal óptico no mapa da rede, sem esperar o furto acontecer de novo pra medir o custo dele. Fale com a gente.
Fontes: ndmais — prisão por furto de cabos na BR-101 revela prejuízo de mais de R$ 2,5 milhões em SC e Africas Play — Rio perde R$ 69 milhões com furto de cabos nos últimos cinco anos.