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DDoS de 10 minutos, espalhado pelo bloco inteiro: por que o provedor regional virou alvo — e por que o gráfico de 5 minutos não vê

Grade de endereços IP de um bloco /24, quase todos acesos em laranja com pequenos fluxos de ataque, convergindo para um link de trânsito saturado em vermelho

2026 está sendo o pior ano de DDoS no Brasil desde que se mede isso com alguma regularidade. Os números que saíram nos últimos dois meses não deixam muita margem pra dúvida — e quase todos apontam pro mesmo tipo de alvo: operadora de telecom, inclusive provedor pequeno.

O que os relatórios recentes mostram

O recado é que o provedor regional não está "abaixo do radar" de ninguém. Ele está no centro dele.

Carpet bombing: o ataque feito pra não disparar alarme

O DDoS clássico mira um IP só, com um volume enorme. Fácil de ver: um host sozinho recebendo 20 Gbps aparece em qualquer gráfico.

O carpet bombing faz o contrário. Ele espalha o tráfego pelo bloco inteiro — um /24, às vezes um /22 — mandando um pouco pra cada endereço. Nenhum IP isolado passa do limite que dispararia uma regra de mitigação por destino. Mas a soma de centenas de fluxos pequenos lota o link de trânsito do provedor, e quem cai é todo mundo atrás dele.

Do lado do cliente, isso se parece com "internet lenta" ou "caiu e voltou". Do lado do NOC, se a ferramenta só olha por IP de destino ou só tem gráfico com média de 5 minutos, pode não parecer nada.

Onde o monitoramento comum falha

Dois problemas se somam:

  1. Granularidade. Se o item de tráfego da interface de trânsito é coletado a cada 5 minutos, um ataque de 6 minutos vira um "degrau" diluído na média. Com 90% dos ataques abaixo de 10 minutos, coleta lenta é praticamente cegueira.
  2. Visão por destino só. Regra de "IP recebendo mais de X" não pega tráfego espalhado. O sinal do carpet bombing está no agregado — o link inteiro — e na mudança de perfil: muito pacote pequeno, UDP de portas incomuns, muitos destinos diferentes ao mesmo tempo.

O que dá pra ajustar hoje

Sem substituir o serviço de mitigação (que continua sendo necessário — ninguém absorve Tbps sozinho), dá pra garantir que o NOC veja o ataque e saiba o que está acontecendo:

E, do outro lado da moeda: o Brasil ser a maior origem de ataques significa que parte desse tráfego sai de equipamento de cliente de provedor brasileiro. Já falamos sobre isso no post sobre ONU virando bot — o upload anômalo da sua base é problema seu também.

Se quiser revisar quais interfaces da sua borda estão com coleta lenta demais pra pegar esse tipo de ataque, fale com a gente.

Fontes: IT Forum — Ataques DDoS sobem 121% em junho, CISO Advisor — Huge Networks aponta alta de 85% em ataques DDoS, Cloudflare — DDoS Threat Report H1 2026 e A10 Networks — Attackers Hit Brazil's Regional ISPs.

#seguranca#ddos#isp#trafego
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